CCC12-13: Reescrita Mitológica 4

Trabalhos e Anos

Canta os feitos dos heróis,

Ó musa Mnema.

Quero manter presente os mitos,

Em tempos infinitos,

De memórias quase vazias.

Fui beber ao mundo mitológico,

Fui pedir inspiração às musas.

Canta os olhos lacrimosos, de uma esposa abandonada.

Canta os infinitos fogos e a destruição irreversível.

A espada embainhada, tingida de vermelho.

O custoso regresso inesperado.

A felicidade de uma família,

Até ao dia em o que a balança do destino se inclinará para seu lado.

Deixo o passado e o futuro para trás.
É com dificuldade que sigo em frente.
Mas um grande valor nos trespassa, um valor doloroso.
Posso não voltar…
E ela, tristemente, implora-lhe:
– Despe as tuas armas, não te tinjas com sangue, não brandas a espada…
Hesitante, olhou-a nos olhos.
Mas nem as lágrimas o impediram de  embainhar a espada e seguir  o destino que os deuses lhe concederam.
Despedaçada mas com esperança, dedicou-se aos seus trabalhos.

Na refrega  matou e tingiu a espada de vermelho.

Poucos foram os inimigos que se lhe escaparam.

Ao anoitecer, recolheu-se na sua tenda.

Permanece fiel à esposa que um dia deixara.
Os anos passam rapidamente tal com as águas correm no rio Estige.

Mais um dia de combate.
As flechas esvoaçam.

O sangue cobre o chão.

Ele tropeça por entre cadáveres já despojados.
Até que sente uma escuridão a assombrar-lhe a vista.

Uma flecha trespassa-lhe o peito.

Fere fatalmente seu coração patriota.

Brota o sangue que corre nas veias de seu filho, de ainda tenra idade.
Lembrou-se da razão de viver mas nesse preciso momento,
Uma última lágrima percorre-lhe a face.
Expira o sopro de vida.
Sua alma evolou, levada pelo Ares.

Desceu à mansão do Hades

Pede incessantemente para regressar à vida terrena.

Ainda tinha que ver o filho crescer, ainda tinha de amar sua família.
Para alcançar tal desejo, Hades desafiou-o a empurrar uma grande rocha até ao cimo da mais alta montanha. Quando o conseguisse, inspiraria logo a vida.
Era um rochedo tão grande, quase impossível de mover.
Tão custosa era a sua tarefa que decidiu então consultar o oráculo:
– Conseguirás elevar a rocha ao cimo da montanha, mas para isso terás de libertar Sísifo do seu castigo.

Ele te ensinará a tua tarefa.
Pítia deixara-o ainda com muitas dúvidas.

Pediu a Hades que enviasse um mensageiro chamar Zeus.
Zeus, do Olimpo desceu às profundezas.

Apelou à compaixão de Zeus.

Afinal, Zeus assistira à morte do filho sem nada poder fazer.

Sabia bem de sentimentos filiais.

Assim libertou Sísifo que o ensinaria na sua tarefa.

Os dois chegaram ao cimo da mais alta montanha.
Aí encontram uma chave de ouro,

A chave que tranca todas as almas na mansão do Hades.
Saíram os dois pelo infinito portão devidamente protegido.
Atiraram a chave a Posídon. A partir daí mais nenhuma alma conseguiu sair do inferno.
Mas o olhar de Sísifo atrevera-se a virar-se para trás.

A sua antiga rocha tomara conta si.

Ficara petrificado para sempre.

E a sua estátua ficou junto à entrada do Hades.
O companheiro seguiu viagem até casa.
Sua esposa permanecia fiel como uma Lucrécia que espera por Colatino em casa.
Os Gregos invadiam violentamente Tróia.
Cassandra acautelara-o a salvar sua família.

Ele não lhe dera ouvidos.
Quando chega a casa, as chamas domavam a casa.

Apressou-se a retirar a família e a fugir.
que se precipitara pelo presságio
Fugiu com o passado ao ombro e o futura pela mão.
A determinada altura olhou para trás e sua esposa já não os acompanhava.
Procurou-a, e atingida por uma flecha quase se lhe via o espectro.
Aplicou seus conhecimentos medicinais, ofício fornecido por Quíron.
Salvou-lhe a vida e todos seguiram viagem.
Chegaram a uma terra estranha.
Seus habitantes, os Lotófagos, ofereceram-lhes sua flor.
Deste modo a família esquecera todo o passado trágico.

Fundaram a sua própria cidade e ganharam a imortalidade por esse grande feito.

Autora: Lina Castanho (aluna de Psicologia)

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