A Terceira Miséria, de Hélia Correia

in TSF (Carlos Vaz Marques)
A última página deste livro, imediatamente antes do índice, é uma lista de nomes de autores e de títulos. Ao cimo, a explicação: Dívida confessada. Uma dívida que vai de Ésquilo a Maria Gabriela Llansol, passando por Nietzsche ou Holderlin.

O regresso de Hélia Correia à poesia é um regresso à memória e aos clássicos. É isso que explica o título deste longo poema dividido em 32 secções: «A terceira miséria é esta, a de hoje. / A de quem já não ouve nem pergunta. / A de quem não recorda».

Hélia Correia tem-se dedicado mais à prosa do que à poesia. É a autora de dois romances notáveis: Lillias Fraser e Adoecer. Na escrita para teatro tem privilegiado o diálogo com os clássicos gregos, um diálogo que também está presente nas histórias que escreveu para leitores mais novos e que têm como protagonista Mopsos, o Pequeno Grego.

Essa paixão pela Grécia, desde há muito presente na obra de Hélia Correia, desagua agora neste livro de poesia, onde a Grécia clássica surge como farol e como impossibilidade: «Para onde olharemos? Para quem? / Certo é que Atenas se mantém oculta / E de algum modo intacta, por debaixo / Do alcatrão, do ferro retorcido. / Certo é que nunca ressuscitará / Visto que nada ressuscita».

H. Correia, A Terceira Miséria, Relógio D’Água.

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