13 de Outubro: o anúncio do OE2012

Daquilo que ouvi, deixo umas notas:

  1. não está garantido o cumprimento das metas assinadas com a Troika, embora o Governo afirme, com muito orgulho, que pretende impor medidas mais severas do que aquelas que estão inscritas no acordo;
  2. não percebi, e julgo que poucos economistas perceberam, qual a estratégia para travar a recessão e preparar a retoma no final de 2013;
  3. prevejo que no final de 2012 a nossa taxa de desemprego andará perto dos 18%, sem crescimento e afundados num ciclo vicioso;
  4. ficamos a saber que, segundo os técnicos que prepararam o orçamento, isto vai lá se os funcionários públicos e pensionistas auferirem muito menos, até porque ganhar 1000 ou 5000 euros parece ter o mesmo significado para esses técnicos; ressalve-se o facto de eles acharem, para elevar a auto-estima dessas pessoas, que 1000 euros é um salário muito bom;
  5. esperar-se-ia que houvesse incentivos fiscais ou outros, no sector público e privado, para quem trabalha muito e bem, mas não; se trabalhas muito e bem, e, além disso, tens lucro ou dás lucro…azar, porque o Estado precisa dos impostos;
  6. esperar-se-ia que o Estado propusesse um programa em que premiasse as instituições públicas ou privadas que, nesta fase, contribuíssem de forma positiva para as contas públicas, o desenvolvimento económico e o investimento, mas não.

Hoje, muitos milhares de portugueses sentem-se envergonhados e decepcionados porque olham para um país que empobrece diariamente. Após anos de sacrifícios das pessoas, nem tanto de algumas instituições e empresas, com a perda do poder de compra, o aumento dos juros, a supressão de apoios ou a falta de alternativas de emprego, muitos deixaram de acreditar. Como pode este povo levantar-se do chão e construir um futuro digno para os seus filhos e netos? Corta-se na educação e já só falta termos os funcionários auxiliares ou um curioso qualquer a ensinar português e matemática; poupa-se na saúde e vamos acabar por morrer à espera de uma cirurgia; poupa-se na ciência e na cultura, e estaremos a promover a ignorância e a iliteracia para em 2020 ser necessário um plano de alfabetização e instrução do país; corta-se na agricultura e pescas, porque os espanhóis ou os franceses bem podem matar a nossa fome com aquilo que produzem; poupa-se na justiça, porque mais vale deixar em liberdade os corruptos e fraudulentos do que assistirmos ao circo dos julgamentos de casos que acabam por prescrever, evitando-se, dessa forma, que os pobres dos arguidos possam pedir indemnizações ao Estado.

Por volta de 1989, apanhei uma vez boleia a caminho de Castelo Branco com um piloto da TAP que me disse o seguinte: “Mais dia menos dia nada disto será cultivado, o país vai empobrecer muito e virão os senhores ricos da Europa comprar a preço de saldo o país para as suas férias, caçadas e tempos livres”. Na altura, não percebi bem o que ele queria dizer, mas vejo que os tempos recentes lhe vêm dando razão…

Enquanto houver saúde e até que nos deixem, vamos trabalhando.

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