Autor Anónimo – Novembro de 1997 (reescrito quase continuamente)

Regresso re(des)conhecido

Ítaca, Ítaca …
feliz e saudosa pátria
que não te apartas do meu pensamento.
Quão distantes vagueiam as minhas e as tuas tenras memórias!
O frémito dos cavalos o alarido da ágora
os choros sentidos das crianças
a desordenada correria à chegada de incógnitos homens…
Tudo eu queria de novo ver ouvir cheirar.
Mas continuo a errar por esse interminável mar
onde as margens são deuses impiedosos
que jogam a minha fortuna sem pressa.
Os peixes socorro nas horas de desânimo não habitam nestas águas.
Posídon deus funesto que me sacode no mar vinhoso.
Antes tivesse banido cuidados sem fim!
Meu povo meu filho e minha esposa aguardam-me
nas cinzentas janelas do amplo palácio dilacerado por esses
néscios devoradores de bens alheios.
Sangrento sono mortal terão no meu regresso.
Tu minha fiel companheira Atena
abre uma porta para a minha terra nesse horizonte incerto e turvo.
Sentindo a ânsia que brame no meu peito onde fervem as lágrimas
choradas pelos companheiros perdidos nas ciclópicas desventuras …

Já me invade o cheiro das itacenses flores que Éolo empurra
para a vazia nau de leme incerto.
Eis chegado o momento apetecido … e temido.
Não sei se Ítaca me reconhecerá passados tão longos anos
Não sei eu próprio se me reconhecerei na Ítaca presente
Não sei se não seremos dois estranhos.
Irreal Ítaca desenhada em mim estranharão as tuas ruas
edifícios gentes à vista deste ardiloso combatente?

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